30/07/2009
A tout "mis" amis
A casa era um pouco velha e, passando-se uma grade não muito difícil de passar, vez por outra podia-se vê-la rodeada pelas pessoas estranhas que ali frequentavam. O lugar, segundo relatos e memórias, havia sido palco de confrontos homéricos de Noruega contra Inglaterra, Holanda contra Itália, entre outros. O nome de inúmeras pessoas jazia rabiscado nas paredes, com tintas de todas as cores. Pela bagunça, parecia, de fato, um campo de guerra. Fui entrando aos poucos, e, depois de algum tempo, me sentia à vontade mesmo tendo que me acostumar à comida escassa, ratos ariscos, e à música incessante e repetitiva que vinha do andar de cima. Ali, abriguei-me, por diversas vezes, durante noites mal-dormidas e dias improdutivos. Fiz amizade com quatro sujeitos muito esquisitos: um, mais cabeludo, que entendia de diagramas ou algo parecido; um que sempre tinha mau-humor nas quintas-feiras pela manhã; um que tinha a memória bem curta e custava para lembrar das coisas e um último que conseguia verter em música qualquer frase ou objeto. Aprendi a conviver com estes tipos e, digo que, entre alegria e tristeza, foram de suma importância para minha sobrevivência. Mesmo frequentando ali por tanto tempo, quatro de nós sempre fingiam não saber ao certo o número da casa para dar um clima de descontração, talvez. Certo dia, deixei de ir à casa e resolvi dar uma volta nos arredores. Quando percebi, já estava longe. Como eu sabia voltar, continuei andando. Andei, andei e andei por tanto tempo, que agora eu tenho saudades e medo enormes de voltar e não ser mais aceito. E eu sei que fiquei longe por muito tempo porque a dúvida quanto ao número da casa, que antes era mera brincadeira, agora tornou-se verdadeira.
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2 comentários:
Sempre vai ter um lugar pra você nas trincheiras desse campo, rapaz. Se foram os ratos ariscos mas a comida continua escassa, os esquecidos, esquecidos e os músicos, músicos! Do lado daí sei que continua tudo igual e que faz bem um rolê nos arredores. Mas vê lá no seu Orkut a solução pra você não ter mais desculpas!
Bonito, bonito...
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